MONTADO DE SOBRO

O Sobreiro é uma árvore autóctone da família do carvalho, plantada no sul da Europa e a partir da qual se extrai a cortiça. É devido à cortiça que o sobreiro tem sido valorizado desde tempos remotos. A extração da cortiça não é prejudicial à árvore, uma vez que esta volta a produzir uma nova camada de “casca” (Súber), retirada em intervalos de 9 anos.
O Sobreiro é uma espécie florestal autóctone que se distribui pela zona ocidental da região Mediterrânea, onde se faz sentir a influência Atlântica, a qual é essencial em termos climáticos para diminuir as elevadas amplitudes térmicas e a secura característica do clima mediterrâneo.
Estas características ocorrem em Portugal, pelo que é no nosso País onde se encontra um óptimo sistema ecológico para o desenvolvimento do Sobreiro que se encontra distribuído por todo o território continental nacional, com particular incidência nas zonas Centro e Sul do país.
Os sobreiros nascem em povoamentos a que se dá o nome de montado de sobro, um ecossistema muito importante tanto em termos ambientais como em termos socioeconómicos.
No reinado de D. Dinis aparecem, nas cartas de criação das coutadas, medidas com o objectivo de proteger o sobreiro e a azinheira, que proíbem e punem práticas já na altura consideradas maléficas: caso das queimadas, do varejamento indiscriminado do fruto, da colheita abundante de rama verde para alimentação do gado e sobretudo cortes indevidos.
O Sobreiro é desde o final do ano 2011 a árvore nacional de Portugal, sendo protegida por legislação devido ao seu interesse socioeconómico.

A IMPORTÂNCIA SOCIOECONÓMICA

Portugal é o maior produtor mundial de cortiça – Em apenas 8% do território nacional produz-se mais de 50% da cortiça a nível mundial. (quercus.pt)

A cortiça é a matéria-prima de uma actividade industrial, que transforma cerca de 70% do total produzido a nível global pela indústria corticeira, situação que faz do nosso país líder no sector.

A exportação de produtos em cortiça representa cerca de 3% do total das exportações nacionais e ronda os 900 milhões de euros anuais, o que faz de Portugal o maior exportador de produtos de cortiça.

A gestão dos montados de sobro gera também importantes rendimentos ao nível local e no interior do país permitindo manter emprego e o equilíbrio rural entre a natureza e a população.

Para além da exploração da cortiça, destacam-se a criação de espécies autóctones produtoras de carne de qualidade e leite que são a base de indústrias agro-alimentares de importância regional e local, a apicultura, a recolha de cogumelos, a exploração de actividades culturais e turísticas relacionadas com a natureza. Todos estas são razões para a defesa do montado de sobro.

A IMPORTÂNCIA AMBIENTAL

Em termos ambientais os montados de sobro, desempenham funções importantes na conservação do solo, na regularização do ciclo hidrológico, na qualidade da água, na produção de oxigénio e consequentemente do sequestro de carbono na atmosfera. Em termos de biodiversidade o montado de sobro é um ecossistema muito rico que já foi alvo de estudo sobre a conservação da natureza a nível nacional e internacional.

Só em termos de avifauna, existem nos montados mais de 120 espécies, algumas delas com estatuto vulnerável ou ameaçadas de extinção como a Águia de Bonelli ou a Águia Imperial.