O QUE É A CORTIÇA?

A cortiça é um material cujas aplicações são conhecidas desde a Antiguidade (Fenícios e Gregos), sobretudo como artefacto flutuante e como vedante, cujo mercado, a partir do início do século XX, teve uma enorme expansão, nomeadamente face ao desenvolvimento de aglomerados diversos à base de cortiça. A cortiça natural é a camada suberosa do sobreiro (Quercus suber L.), constituindo o revestimento do seu tronco e ramos.

CARACTERÍSTICAS DA CORTIÇA DE ACORDO COM O LIVRO DE LUIS GIL “CORTIÇA – PRODUÇÃO. TECNOLOGIA E APLICAÇÃO, 1998”

Estrutura: A cortiça apresenta uma estrutura alveolar ou celular.
Composição Química: A cortiça é composta sobretudo por Suberina, Lenhina, Polissacáridos, Ceróides e Taninos.

PROPRIEDADES

Estas características fazem com que a cortiça seja leve, elástica, praticamente impermeável a líquidos e gases, excelente isolante térmico e acústico e possui uma grande resistência ao fogo.

SOBRE O AGLOMERADO DE CORTIÇA EXPANDIDA

O aglomerado de cortiça expandida, vulgarmente conhecido por aglomerado negro de cortiça, é um produto 100% natural em que a aglutinação dos grânulos da matéria-prima se efectua exclusivamente em consequência da expansão volumétrica e da exsudação das resinas naturais da cortiça, por acção da temperatura transmitida por um fluido térmico (vapor de água). É assim produzido um aglomerado em cuja constituição não se utilizam quaisquer colas, tintas ou aditivos, sendo unicamente constituído por cortiça, razão pela qual também se designa por aglomerado puro de cortiça. Internacionalmente e em documentação técnica actual o aglomerado de cortiça expandida é referenciado pela sigla ICB, da denominação inglesa Insulation Cork Board.
A matéria-prima utilizada é a falca, tipo de cortiça proveniente das podas (esgalhas) cíclicas dos sobreiros. Esta cortiça depois de extraída dos ramos é triturada e limpa de impurezas – terras, pedras, pó de cortiça, entrecasco e madeiras, sendo estes três últimos retriturados e utilizados como biomassa. Esta biomassa é utilizada para a produção de vapor de água a 400ºC. Com o granulado, depois de triturado e limpo, é cheio um autoclave o qual vai ser atravessado pelo vapor de água, injectado numa corrente ascendente. Esta corrente de vapor a alta temperatura, provoca a expansão dos grãos, a libertação das resinas internas no grão, formando-se um bloco paralelepipédico de ICB, funcionando o próprio autoclave como molde.
Após o completo arrefecimento e a estabilização dimensional, seguem-se as fases de corte e de acabamento, em que os blocos são seccionados em placas e é acertada a esquadria. Seguidamente seguem directamente para o isolamento ou, para a secção do design, dando origem ao mobiliário da Blackcork ou às paredes Gencork, Corkwave e Corkwave Green.

COMO SURGIU? DE ACORDO COM O LIVRO DE LUIS GIL “CORTIÇA – PRODUÇÃO. TECNOLOGIA E APLICAÇÃO, 1998”

O aglomerado negro de cortiça foi descoberto acidentalmente em 1891, pelo fabricante americano de coletes salva-vidas John Smith, de Nova Iorque, cujo fabrico patenteou (patente nº 484345) em Outubro de 1892. Como era vulgar nesses tempos, esses salva-vidas eram feitos com coletes de lona cheios de granulado de cortiça, em tubos ou cilíndricos metálicos, de modo a manter a lona estendida, até se acabar o enchimento. Uma noite um desses cilindros ficou esquecido e cheio de granulado, por acidente, rolou para uma caldeira. Na manhã seguinte, John Smith, o proprietário, ao limpar a fornalha, descobriu que o calor não tinha consumido a cortiça no interior do tubo, mas sim tinha transformado o grânulo numa massa cilíndrica castanha escura perfeitamente agregada.